terça-feira, 28 de abril de 2009

LENTAMENTE


Amor, o tempo passou lentamente
Tão lento que perdi a conta dos anos
Tão devagar que cansei de olhar para as horas
Não olhei para mim, nem olhei para nada
Vi apenas a distância que tomavas de mim

Olhei para trás e vi meus rastros marcados
Por todo o caminho que percorri
Haviam rastros de sangue
Pois todo o meu ser sangrava
Um sangue que ninguém mais percebia

Olhei-me no espelho e quase não reconheci
A figura refletida diante de mim
Nada se parecia com aquela de antes
Eu não era mais a mesma
Não voltaria a ser a mesma

Mas entenda, meu amor
Durante todo esse tempo busquei por você
Tentando encontrar algum vestígio
Uma evidência que fosse
De algum sentimento por mim em você

Bati em portas que não se abriram
Andei por ruas que não tinham saída
Atravessei sinais fechados para mim
Encontrei apenas mais dor
Abrindo mais feridas em mim

Lentamente meu tempo passa, amor
E lentamente envelheço com ele
Há vestígios de saudade em mim
Fragmentos de algo que restou
Enquanto apenas aguardo o lento fim

Maria Antonieta Lima

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