quarta-feira, 22 de abril de 2009

Escuridão e dor

 
**** no dia anterior havia teclado com uma pessoa que me disse que outra não iria me perdoar nem na hora da morte. Aquilo doeu fundo como uma navalha cortando minha alma. Eu estava doente, percebi que me deixei levar por pessoas ruins que queriam meu mal e não poderia explicar meus motivos, a gravidade da minha doença e complicações dela... E de tudo que eu tinha perdido pela maldade dos outros, meu sentimento era real.
Eu tinha deletado todo o blog mas havia sido clonado e tinha um monte de fake me perseguindo e fazendo ameaças. Falavam inclusive que eu queria ver sangue derramado, que eu era má e que deveria morrer. Um deles me enviava todos os dias a mensagem que eu não faria falta ao mundo. E eu estava em tratamento, muito frágil ainda no inicio do tratamento. Quando o blog foi invadido e clonado inventaram uma história de suicídio que não aconteceu. No entanto eu estava em tratamento de depressão, TOC e síndrome de pânico.
A vergonha da situação que impensadamente expus, a dor do meu sentimento ter sido alvo de julgamentos por culpa minha, a forma errada como conduzi da paquera ao encontro por medo, a memória viva do assalto e todo o pânico vivido por mim, a traição da família por causa de um terreno e a perda de TUDO que eu possuía era um convite ao fim. E nesse dia planejei...
Comprei uma bebida quente, que adoro, esperei ficar sozinha em casa.
Antes de sentar e beber escrevi 3 poemas do fundo da minha alma. Eu estava expondo no papel exatamente aquilo que sentia bem lá no fundo de mim. Nem mais nem menos. Se eu fosse terminar com tudo queria deixar marcado meu sentimento. Queria dividir amor com outras pessoas que amam.
Abri a janela da sala. Na outra ponta distante bem de frente pus uma cadeira e sentei ali com minha bebida.
De cara cheia a coragem viria, porque além de tudo me sentia uma covarde por não conseguir dar logo um fim. Bebia lembrando de minha vida como um filme. Meus fracassos, minhas derrotas, tudo que vivi até ali. Tudo que deixei de ser e as oportunidades que abri mão para ajudar aos outros. Bebi até ter coragem o suficiente para pular pela janela arreganhada. Então respirei fundo e segui a cabeça rodando, perdi a noção e desmaiei antes de chegar ao meu objetivo. O máximo que consegui aquele dia foi entrar em com alcoólico.
Estive internada por 3 dias e toda aquela ladainha chata de averiguações do risco, sim eu era um risco.
Fiquei por um tempo na casa de uma amiga que me vigiava 24 horas por dia.
A vergonha que eu sentia era ainda maior, eu era um fracasso total e nem pra morrer conseguia.
Foi aí que ainda isolada, triste e sem esperança de melhora tomei toda a cartela da medicação.  Ao Andar do quarto a sala caí e a colega sacou me levando imediatamente ao hospital.
Dali seguiram dias difíceis de silêncio e dor. Iniciei uma terapia de grupo muito chata, fiquei internada por longos 30 dias e quando saí iniciei um processo de metamorfose que narro em outra postagem.
A única coisa que teve força de me manter viva foi o amor que eu sentia por duas pessoas minha filha e ele. Sim ele, mesmo distante, mesmo sem querer me ver, mesmo sem retribuir o sentimento, o amor que eu sentia por ele foi parte da minha cura.
Ao assumir isso pra mim mesma, que eu amava e não podia mudar este sentimento tudo aconteceu gradativamente dentro de mim. 

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