terça-feira, 28 de março de 2017

SOBRE A DOR

Outro dia uma pessoa falou pra mim que eu não iria sentir dor sobre uma determinada situação.
Do outro lado da tela eu dei uma grande gargalhada diante da inocência do comentário.
Medo de dor logo eu?
Não me venha falar sobre dor.
Eu não tenho medo da dor.
Pessoas como eu que sofreram intensamente com dores morais, com dores na alma, com dores que dilaceram teu espírito e perseguem tua
 mente, e usaram da auto mutilação para atenuar a intensidade destas dores, não são fracas para a dor física.


É quando você se sente:
REJEITADA
SOZINHA
DEPRESSIVA
ANSIOSA
INÚTIL
FEIA
CANSADA
ESQUECIDA
MACHUCADA
ISOLADA
ACABADA
RIDÍCULA
PATÉTICA
MALUCA
TRISTE
FINGINDO



É aquele momento que uma lâmina corta sua carne e seu sangue escorre quente por sua pele, com cheiro forte de vida que uma dor substitui a outra.
Cada corte uma morte, assim como cada cicatriz a lembrança da tua força de suportar aquela dor e permanecer viva.
Mesmo que mentindo está tudo bem.
Mesmo que sorrindo quanto todo teu ser sangra e chora.
Isso não é fraqueza isso é uma forma de ser mais forte que a dor mais forte.




É sobreviver a morte interior.
E não pense que é para chamar atenção, não seja tão ridículo ao ponto de achar que alguém vai se ferir para chamar atenção.
Quem se corta não tem orgulho dos seus cortes, sente vergonha e esconde.
Da mesma forma que esconde a dor que machuca lá no fundo.
Eu ainda preciso sentir o sangue quente escorrendo pela minha pele.
Ainda preciso sentir a lâmina na carne.
Ainda preciso sentir a dor física superar a dor do espírito.
E quem pode me convencer algo diferente sobre a forma como eu sinto dor?









 É IMPRESSIONANTE O QUE VOCÊ PODE 
ESCONDER COM UM SIMPLES SORRISO










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