terça-feira, 14 de julho de 2009

Conto daquela Menininha


Sininho

Cris nasceu como toda criança. Era uma menina saudável, linda, carequinha, como muitas outras crianças que nascem todos os dias nesse mundão.
Destino traçado ou ironia do destino a linda menininha foi arrancada de sua mãezinha para satisfazer o desejo de outras pessoas de possuir uma vida.
Uma vida que não pertencia a estas pessoas. Assim cresceu nossa pequena Cris. Com vestidinhos de chita a menininha brincava e crescia livre e amada por sua protetora. Mas tristemente era traçado um caminho de mentiras ao redor daquela criança. Nada do que a ensinaram a amar era real, os amores da sua vidinha não eram reais, sua família não era real, e a única esperança da meninha era sua protetora, que não a veria se tornar uma mulher. E assim não muito tarde o destino se cumpriu e nossa pequena Cris ficou a mercê das mentiras que foram criadas ao seu redor. Tão nova, aos seus 12 anos, e já conhecia muito bem o sofrimento e o abandono. Viu ser enterrado com a única pessoa que a amou de verdade todos os seus sonhos cor de rosa, todas as canções de ninar, os afetos e as poesias.
Dali em diante nossa linda menininha tinha que aprender a se consolar com o que sobrava e ouvir que recebia mais e melhor do que os verdadeiros filhos da sua falsa família.
Como poderia receber mais e melhor se eles possuiam um quarto e ela não? Se as melhores frutas e os pães da casa possuiam donos na hora que ela queria comer? E sempre que pedia algo a mais na mesa ela ouvia que estava sentada na mesa levava discórdia (por pedir um pouco mais de batata ou um caldinho do bife). Por conta disso nossa menina, hoje mulher, dispensa a mesa em sua casa.
E a menina cresceu com o destino traçado por aqueles que nunca a fizeram sorrir. E dedicou-se como pode a estes.
E esta menina tournou-se mulher e forte, mesmo sendo frágil. E sua fragilidade hoje escondida pela dureza da vida pode até ser vista com outros olhos. Mas estes olhos jamais contemplarão o que ela tem dentro de si, pois é algo escondido de si mesma. Sabe-se lá o quanto sofreu para ser como é hoje.
Em seu destino traçado por outros e sem ter um porto seguro ou um lugar para voltar ela sabe muito bem o que poucos desconfiam sobre a dor da alma.
Sem teto, sem chão, sem coração que se importe é a mulher de hoje que esconde em si a menina que ficou sem carinho. Sem um beijo de boa noite e sem as canções de ninar. Cresceu sem abraços e sem laços.
Amou erradamente, viveu sem orientação porque sua vida sempre foi uma mentira.
E assim caminha até que alguém a enchergue através da muralha que construiu ao redor de si mesma e das máscaras que criou para esconder o grande tesouro que possui.

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